Sábado, 31 de Março de 2007
Sono induzido – Os medicamentos para dormir (hipnóticos)

 

            A insónia é a incapacidade de dormir ou manter-se adormecido. Os medicamentos para dormir, ou hipnóticos, podem ser úteis, mas é crucial apurar as causas da insónia antes de se prescrever qualquer fármaco. Os hipnóticos estão disponíveis sob a forma de comprimidos, cápsulas e gotas.

 
                Como actuam?

          Todos os hipnóticos se fixam nos receptores presentes no cérebro. Isto aumenta os efeitos de uma substância química chamada GABA (ácido gama-aminobutírico), que inibe a transmissão de sinais eléctricos no cérebro. Em consequência, a actividade geral do cérebro diminui, o que favorece o sono.

 

            Efeitos indesejáveis

            Em caso de utilização prolongada, a dose pode tornar-se ineficaz ou pode sobrevir dependência, pelo que os médicos aconselham a sua utilização apenas por curtos períodos. Se os medicamentos forem suprimidos bruscamente após um tratamento prolongado, a insónia pode voltar. Muitos hipnóticos – sobretudo as benzodiazepinas – podem causar sonolência, letargia e um efeito de ressaca no dia seguinte, o que desaconselha a condução ou utilização de máquinas. As pessoas que tomam zolpidem podem sentir náuseas ou um sabor desagradável na boca.




O gráfico mostra-nos a estrutura do sono induzido relacionando as suas várias etapas com as diferentes horas de sono. O sono induzido pelos hipnóticos não tem muito do elemento do sono profundo de uma noite de descanso normal. Além disso, o sono REM é suprimido. Podemos concluir, desta forma, que comparativamente com o sono normal, o período segundo o qual decorrem os nossos sonhos diminui através da utilização dos hipnóticos.


 


 



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Segunda-feira, 19 de Fevereiro de 2007
Descoberta científica: a zona do cérebro que explica o vício
 

Um grupo de neurocientistas da Universidade do Sul da Califórnia, que inclui a portuguesa Ana Damásio, anunciou recentemente ter descoberto a região do cérebro relacionada com a vontade de fumar e com outros vícios nocivos à saúde.

A conclusão foi tirada a partir do caso de um homem de 38 anos que perdeu repentinamente a vontade de fumar. Este, que consumia cerca de 40 cigarros diários, parece ter-se "esquecido" do vício quando teve um acidente vascular cerebral que lhe provocou lesões na ínsula.

Os cientistas estudaram posteriormente 69 pacientes que foram fumadores e que sofreram danos cerebrais, 19 deles com lesões na ínsula. Entre os 19 pacientes que tiveram esta região danificada, 13 pararam de fumar, 12 deles com facilidade.

A ínsula é uma zona saliente do encéfalo que recebe informações de outras partes do cérebro, estando os cientistas convencidos que desempenha um papel fundamental nas sensações de fome, dor, desejo de fumar ou tomar drogas.

A descoberta pode resultar no desenvolvimento de medicamentos e cirurgias que ponham fim à dependência.



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Domingo, 18 de Fevereiro de 2007
Entrevista a Ana Franky

Ana Franky é aluna da Universidade do Minho em Braga, frequenta o 5º ano do curso de Medicina e está inserida num grupo de estudo relacionado com diversos temas no âmbito das neurociências.

 

Pergunta – O estudo da mente humana poderá passar apenas pelas neurociências?

Ana Franky – Julgo que não, a mente humana, tema que vocês procuram abordar, passa também por uma vertente mais metafísica, na sua maioria ligada à filosofia e à psicologia. As neurociências dedicam-se à descoberta dos mecanismos de funcionamento do sistema nervoso, mecanismos que permitirão o aparecimento da mente. E a mente humana terá muitos componentes e poderá ser abordada de muitas maneiras, por uma vista mais bioquímica ou fisiológica, por exemplo. Uma fatia das neurociências gira em volta de doenças do Sistema Nervoso: ao estudar as diferenças estruturais, bioquímicas e fisiológicas pode-se deduzir as causas de certos fenómenos, funções da “mente”.

 

P. – Sabemos que está inserida num grupo de estudo ligado às neurociências. Quais os principais temas por ele abordados e quais os objectivos desse projecto?

A. F. – No grupo são debatidos temas essencialmente ligados à influência do stress no funcionamento de cérebro, avaliando alterações cognitivas e nmésicas bem como alterações comportamentais. Existem testes que, ao se exigir ao rato que encontre uma determinada plataforma, permitem avaliar a memória espacial do animal. Outros testes permitem avaliar se o animal apresenta um comportamento do tipo ansioso ou do tipo depressivo, por exemplo.

As experiências laboratoriais são efectuadas, predominantemente, em ratos. A título de exemplo, é possível lesionar uma área específica do cérebro do rato e avaliar, à posteriori, o efeito dessa lesão no comportamento do animal.

É também foco de estudo o desenvolvimento neurológico do rato, tentando estudar o efeito de alguns estímulos que o feto sofre durante a gestação nesse desenvolvimento. Será que uma mãe “stressada” terá filhos “stressados”?

Para o estudo do funcionamento do cérebro, usa-se também fármacos com acção no sistema nervoso. Esses fármacos que aliviam certos sintomas neurológicos vão permitir que, ao sujeitarmos os animais a esses fármacos, possamos avaliar as alterações fisiológicas, morfológicas e bioquímicas e assim perceber melhor que vias estão envolvidas na etiologia desses sintomas.

 

P. – Como se encontra o desenvolvimento português relativamente à investigação na área das neurociências comparativamente com o resto do mundo? Quais os principais temas aqui abordados?

A. F. – Em Portugal, não existirá qualquer grupo de investigadores nesta área que seja reconhecido e representativo a nível mundial, o que não quer dizer que não exista gente muito capaz. No entanto, como em qualquer tipo de investigação, existem as questões económicas que, sem dúvida, condicionam a obtenção de resultados. Nos países de maior poderio económico, há maior investimento na investigação, pelo que haverá mais recursos físicos e humanos e assim será mais fácil obter mais resultados. Em certos países é também possível fazer investigação em primatas que, por serem biologicamente mais semelhantes ao Homem, permitem uma transposição mais fácil dos resultados para a biologia humana.

Contudo, as temáticas abordadas pelos grupos portugueses não diferirão muito da restante comunidade científica, uma vez que é necessário acompanhar a evolução do conhecimento e com ele conseguir construir mais conhecimento.

 

 

P. – A evolução desta ciência, aliada à descoberta de novas curas e tratamentos, permite dizer que hoje em dia já não é tão vulgar surgir uma nova doença?

A. F. – Isso na realidade não acontece, pelo que podemos dizer que existirá sempre algo novo a descobrir no seio das neurociências. Temos o simples exemplo do HIV, apesar de não ser uma doença de cariz neurológico, surgiu apenas no século passado. E, agora em tom irónico, podemos sempre contar com os nossos genes para nos pregarem uma partida e, após uma qualquer mutação, criarem uma nova doença. Podemos também afirmar que a tão falada evolução da genética tem deixado a sua contribuição no desenvolvimento das neurociências; descobrir quais os genes responsáveis por determinada doença; aqueles que fornecem protecção e os que aumentam a predisposição para determinada doença. É também muito importante o papel dos factores ambientais na dita genética; se por um lado tudo o que acontece dentro da célula se deve aos seus genes, por outro lado, a expressão dos genes é regulada por múltiplos factores.

 

P. – A vida onírica é alvo de estudo das neurociências?

A. F. – A meu ver, este tema sobre o significado dos sonhos inserir-se-á mais na área da psicologia. Desconheço estudos que se debrucem sobre a capacidade onírica, como surgem os sonhos e porquê. Contudo, é possível saber qual a actividade cerebral durante as várias etapas do sono, através da inserção de eléctrodos em zonas cerebrais específicas e que mostram que o cérebro mantém actividade durante o sono e será essa actividade que possibilita a formação dos sonhos.

 

P. – O Homem desde há muito que utiliza drogas para poder promover em si mesmo o sentimento de bem-estar. Estes vícios criam alterações significativas nos processos neurológicos?

A. F. – Existem várias zonas que são alteradas pelo o uso de estupefacientes, e não me refiro a um uso exagerado. Por exemplo, no caso do haxixe, basta que se fume uma única vez para que a probabilidade de o indivíduo ter alucinações e de poder vir a sofrer de esquizofrenia no futuro aumente drasticamente. Já foi também demonstrado, através de exames imagiológicos e funcionais, que o cérebro de uma pessoa que consuma, por exemplo cocaína, apresenta alterações significativas da estrutura e função, como atrofia de certas regiões.

 

P. – Qual lhe parece então ser o principal objectivo das neurociências e que podemos esperar no futuro?

A. F. – O objectivo desta ciência pode ser bastante fácil de determinar, tendo em conta que passa por descobrir tudo que até ao momento não foi possível descodificar no nosso cérebro. A cada dia tenta-se encontrar a função específica de cada componente assim como o modo através do qual surgem as diferentes interacções, de onde surgem os estímulos e que mecanismos cerebrais são utilizados para se atingir um qualquer objectivo. Temos o exemplo recente da descoberta ligada à dependência da nicotina, enquadrada na ínsula, uma componente cerebral. Esta descoberta poderá em breve revolucionar o vício do tabaco.

O futuro passa também pela descoberta de novas técnicas de estudo, aliando a evolução tecnológica à evolução das neurociências, estudando doenças específicas pormenorizadamente como Parkinson e Alzheimer. Só desta forma serão descobertas as curas e/ou os tratamentos adequados, através de um processo lento e gradual, em que a maioria dos dados são como que inúteis num contexto isolado, mas que conjugados com outros constituem pequenos passos para atingir grandes descobertas.



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Sábado, 17 de Fevereiro de 2007
Sistema Nervoso Autónomo (SNA)

Como o próprio nome indica, este sistema funciona de forma autónoma, controlando a função involuntária de diversos órgãos, já que a maior parte da sua actividade não chega ao córtex.

Desta forma é responsável por comandar mecanismos que conscientemente não se podem modificar, como por exemplo os batimentos cardíacos, a secreção das glândulas da mucosa estomacal, a dilatação das pupilas…

É possível conhecer aspectos visíveis da sua actuação no nosso corpo, que nos permitem observar as respostas do nosso organismo a determinado estimulo. Quando, por exemplo, somos sujeitos ao frio, as células termo-sensoriais que funcionam como receptoras de calor e frio, são estimuladas e geram impulsos nervosos que são conduzidos pelos nervos sensitivos e pela medula espinal ate ao hipotálamo. Desta forma produz-se uma resposta adequada à situação e que visa aumentar a temperatura corporal: a vasoconstrição dos vasos sanguíneos, a erecção dos pêlos, de modo a criarem uma barreira isolante de ar junto a pele, e a ocorrência de tremuras com consequente aumento da taxa metabólica e de produção de calor. Na figura 6 mostra-se de forma simplificada o mesmo processo numa reacção à dor.



 

O sistema nervoso autónomo divide-se em sistema nervoso simpático e sistema nervoso parassimpático. Estes trabalham de forma contrária, podendo-se afirmar que o sistema parassimpático restaura os níveis de equilíbrio alterados pelo simpático.

A função do SNA Simpático é a de preparar o corpo para uma emergência, de responder a um estímulo do ambiente quando o organismo se encontra ameaçado, excitando e activando os órgãos necessários às respostas.

Já o SNA parassimpático visa reorganizar as actividades desencadeadas pelo SNA Simpático, relaxando as actividades. Relaciona-se directamente com a capacidade de regulação do organismo face às condições ambientais em que se encontra – homeostasia, capacidade esta garantida pelo hipotálamo. Dando um exemplo: se o SNA simpático faz com que o ritmo cardíaco acelere, a função do SNA parassimpático é estabilizar esse ritmo.

Percebidas as diferenças existentes entre os dois, é importante agora perceber de que modo essas activações inconscientes são processadas e que mecanismos estão por detrás das nossas respostas involuntárias.

Tentando então explicar esses fenómenos, de forma sucinta, começaremos por dizer que o SNA contém fibras nervosas que conduzem impulsos do sistema nervoso central aos músculos lisos das vísceras e à musculatura do coração. Um nervo motor do SNA difere de um nervo motor do SNP pelo facto de conter dois tipos de neurónios, um neurónio pré-ganglionar e outro pós-ganglionar. Um gânglio corresponde a um aglomerado de neurónios que se encontra fora do SNC. Dentro do SNC esses aglomerados denominam-se por núcleos.

O corpo celular do neurónio pré-ganglionar fica localizado dentro do SNC e seu axónio vai até um gânglio, onde o impulso nervoso é transmitido sinapticamente ao neurónio pós-ganglionar. O corpo celular do neurónio pós-ganglionar fica no interior do gânglio nervoso e o seu axónio conduz o estímulo nervoso até o órgão efectuador, que pode ser por exemplo o estômago, o coração ou os pulmões.




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Sistema Nervoso Periférico (SNP)

Os nervos são constituídos por fibras nervosas, por sua vez compostas pelo axónio e bainha de mielina, envoltas numa capa de tecido conjuntivo.

Do SNP importa reter que é constituído por pares de nervos cranianos (12 ao todo) e pares de nervos raquidianos (31) e permite a comunicação do encéfalo e da espinal medula com o resto do corpo, recebendo e enviando informações, que nos proporcionam a capacidade de responder aos diferentes estímulos tanto do meio interno como do externo.

Esta comunicação é feita através de duas principais componentes: uma componente sensorial, em que os nervos sensoriais, ou aferentes, levam informações do corpo para o SNC e por uma componente motora, onde os nervos motores, ou eferentes, transmitem impulsos do SNC para os músculos e glândulas. Existe também uma componente mista, quando os nervos são sensitivos e motores simultaneamente.

As partes do SNP que estão encarregues de controlar a função involuntária de diversos órgãos formam o denominado sistema nervoso autónomo.



publicado por HumanMind às 14:08
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O cérebro

Constitui a parte mais desenvolvida e mais volumosa do encéfalo, apresentando uma superfície rugosa onde se observam circunvoluções e compreende os dois hemisférios, esquerdo e direito, ligados entre si pelo corpo caloso. O esquerdo é responsável pelo controlo da metade direita do corpo e vice-versa, fenómeno fruto de um cruzamento de fibras nervosas no bulbo raquidiano.

Erradamente se afirma que o hemisfério esquerdo é, de uma forma geral, dominante em relação ao direito. Cada um dos hemisférios é dominante para um grupo de operações distintas, ou seja, a informação que chega a uma mesma região dos dois lados do cérebro é sentida igualmente por ambos, sendo no entanto interpretada de maneira diferente em cada hemisfério.

Apesar de muito estar ainda por descodificar respectivamente à relação entre anatomia e fisiologia cerebral, atribui-se frequentemente ao hemisfério direito o controlo sobre as percepções artísticas e espaciais e ao esquerdo uma maior envolvência nas tarefas de selecção de detalhes.

Em cada hemisfério é possível observar uma camada externa de substância cinzenta, o córtex cerebral, formado por neurónios e por células glia, e uma branca, que ocupa o centro, constituída principalmente por axónios e também por células glia.

As diferentes partes do córtex cerebral estão divididas em quatro lobos cerebrais distintos: O lobo frontal que fica localizado na região da testa; o lobo occipital, na região da nuca; o lobo parietal, na parte superior central da cabeça; e os lobos temporais, nas regiões laterais da cabeça (fig. 4).



Esta distinção é feita pois a diferenciação celular que ocorre durante o desenvolvimento embrionário, quando parte das células se diferenciam em células nervosas que migram para zonas específicas do sistema nervoso, consoante a sua especialização, dá origem a regiões com funcionalidades próprias.

Aquilo que hoje se sabe acerca das funções de diferentes partes do cérebro foi retirado da observação de lesões cerebrais e de activações observadas durante a realização de certas tarefas, com a recente ajuda do amital sódico, substância que quando injectada directamente numa artéria anula momentaneamente a função da região cerebral por ela irrigada.

Esta permitiu, por exemplo, verificar que a teoria de que a preferência pelo uso da mão direita estava relacionada com a dominância cerebral esquerda da linguagem estava errado. Hoje sabe-se que o hemisfério esquerdo é responsável pelos processos de linguagem na maioria dos dextros e em mais de metade dos canhotos e ambidextros, provando-se assim que tal associação não pode ser considerada funcional, e deriva de razoes genéticas.

Convém explicar este conceito de dominância esquerda relativamente à linguagem. Em 1861,o neurologista francês Paul Broca alertou para o facto das alterações da linguagem estarem directamente ligadas a lesões cerebrais no hemisfério esquerdo e identificou a sua localização no cérebro, ficando esta conhecida por área de Broca. Aliás, foi devido a esta descoberta que se considerou o hemisfério esquerdo o dominante, já que a linguagem era a sede da razão e aquilo que diferenciava o Homem dos outros animais.

Depois da descoberta de Broca verificaram-se diferenças anatómicas entre os dois hemisférios. Este facto deve ser realçado pois ao contrário do que muitos possam pensar, os hemisférios são morfológica e funcionalmente distintos, existindo assim uma assimetria entre ambos.

 O desafio que se tem revelado mais difícil na história da fisiologia cerebral tem sido a atribuição de funções aos lobos temporais.

De facto, apesar de existirem regiões mais aptas a certos tipos de função, as funções cerebrais só são possíveis no funcionamento de todo o cérebro, sendo por isso difícil determinar especificamente as funções de cada uma das partes. Esta separação de funções é contudo mais válida no caso das regiões onde ocorrem eventos ligados ao acto motor (circunvolução frontal ascendente) e à sintetização de sensações que se traduzem numa percepção, que se sabem presentes no córtex motor e córtex sensorial, respectivamente, como indica na figura 4.

Com rigor se pode também afirmar que o processamento de informações relacionadas com a visão é feita no córtex occipital e que numa determinada área do lobo occipital, em torno do “rego calcarino” termina a via da retina que transporta essa informação visual para ser tratada.

Quanto ao lobo temporal sabe-se que dispõe de uma área relacionada com a audição. Já ao lobo parietal é atribuída a função de receber a informação proveniente dos receptores de sensibilidade que se encontram na pele espalhados por todo o corpo.

Pode-se ainda adiantar que a circunvolução frontal está ligada à ocorrência de fenómenos bioeléctricos relacionados com a motricidade, e a parietal com fenómenos ligados à sensibilidade do corpo.

No que diz respeito aos lobos frontais, muito resumidamente, admite-se que nestes decorra a maior parte da actividade relacionada com a execução de tarefas complexas, que não necessitam de integrar informação de outras partes do cérebro.

Quanto ao sistema límbico, as suas funções dizem respeito à memória e a aspectos afectivos.

Vários estudos experimentais foram realizados no sentido de atribuir funções aos lobos temporais e dois pontos foram tomados como cientificamente correctos: o lobo frontal activa-se durante o desempenho de provas de memória (com maior envolvência da face dorso-lateral do córtex) e no caso de provas de atenção verifica-se a activação da face interna dos lobos frontais.

O córtex frontal está anatomicamente dividido em córtex motor, ligado à motricidade, como já dissemos, córtex pré-motor que representa o córtex de associação motora, e córtex pré-frontal que recebe informação do córtex sensorial de associação e que está muito ligado ao sistema límbico. a função deste ultimo pode ser muito dificilmente isolada dado que os mecanismos aqui processados são muito complexos na integração de funções.

A ciência enfrenta assim o desafio de melhorar técnicas que permitam ultrapassar as dificuldades sentidas na tipificação de mecanismos e funções.



publicado por HumanMind às 13:49
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Sexta-feira, 9 de Fevereiro de 2007
Sistema Nervoso Central (SNC)

É importante notar que a divisão que é feita de sistema nervoso em sistema nervoso central e periférico é basicamente funcional, sendo conveniente para fins didácticos.

O SNC é formado pelo encéfalo, alojado na caixa craniana e pela espinal medula. As propriedades especiais da parte central do sistema nervoso residem em complexas interconexões de neurónios, nas quais surgem os padrões apropriados de respostas aos estímulos provenientes do meio externo e interno.

Geralmente encéfalo é confundido com cérebro e ambos os termos são usados igualmente. Na verdade, o encéfalo é formado pelo cérebro, cerebelo e bulbo raquidiano.




    ESPINAL-MEDULA

    A espinal-medula possui uma região central de massa cinzenta, que recebe e processa a informação sensitiva enviando-a depois para os músculos, região essa rodeada de substância branca que contem axónios comunicantes com o cérebro e com a espinal-medula.
                Actua como uma espécie de intermediário entre o SNP e o SNC e possui muitas fibras nervosas dispostas em conjuntos, que controlam os músculos e os órgãos internos. Recebe, através dos nervos sensitivos, informação sobre a temperatura, dor, tacto, tensão muscular e posição das articulações, podendo esta ser transportada até ao cérebro, pela substância branca, de forma a estimular conscientemente a informação ou então essa informação depois de entrar na medula pode ser utilizada para controlar a tensão muscular ou estimular respostas reflexas.
                As respostas reflexas são actos involuntários, imediatos, produzidos de forma inconsciente. Por exemplo, quando tocamos em algum objecto quente retiramos automaticamente a mão num acto reflexo e quando focamos uma luz brilhante imediatamente pestanejamos de forma a proteger o olho. Na produção de um reflexo quatro acções são desencadeadas: a recepção, condução, transmissão e resposta. O sistema nervoso central intervém em todas elas.




publicado por HumanMind às 18:04
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Sexta-feira, 2 de Fevereiro de 2007
O Sistema Nervoso

O sistema nervoso origina-se da ectoderme embrionária. O seu processo de desenvolvimento, que não termina no momento do nascimento, progride ao longo da vida do indivíduo, através do estabelecimento de ligações sinápticas fundamentais para a estruturação da função cerebral. Todo o desenvolvimento do sistema nervoso, quer no período intra-uterino, quer no período após o nascimento, requer um estado de equilíbrio essencial para que a sua maturação ocorra de forma natural, em que o desenvolvimento do todo depende do desenvolvimento de cada uma das partes, numa relação de harmonia e interdisciplinaridade entre todas as entidades.

Existe um conceito, tradicionalmente aceite, que tem vindo a ser experimentalmente contraposto. A crença de que a uma certa idade ocorre uma morte celular maciça e uma estabilidade do sistema está errada. Hoje sabe-se que ao longo da vida, e mesmo na idade adulta, se verificam crescimentos de células com aumento dos seus prolongamentos e o estabelecimento de novas ligações. Recentemente foi ainda descoberto que existem células somáticas, células com capacidade germinativa capazes de se diferenciarem em neurónios, em indivíduos adultos, presentes nas paredes das cavidades dos ventrículos.

Para percebermos melhor isto, convém antes de mais, reportarmo-nos à unidade básica do sistema nervoso: o neurónio. O neurónio é uma célula altamente estimulável, com a capacidade de detectar as mais pequenas alterações do meio, através da ocorrência de uma alteração eléctrica que percorre a sua membrana – o impulso nervoso. Esta alteração eléctrica resulta da troca de elementos com cargas eléctricas (como o cálcio, sódio e potássio) entre o meio intracelular e o extracelular.

Estas células nervosas são constituídas por um corpo celular, onde se destacam o núcleo, presente no corpo da célula e onde se encontra a informação genética, e citoplasma onde se podem encontrar, entre outras estruturas, as mitocôndrias, essenciais nos processos de obtenção de energia. São ainda constituídas por prolongamentos citoplasmáticos – dendrites e axónios.

As dendrites são prolongamentos finos que recebem e conduzem estímulos provenientes do ambiente e de outras células para o corpo celular.

Os axónios são prolongamentos maiores cuja função é transmitir impulsos nervosos do corpo celular para outras células, permitindo deste modo a ligação entre células. São revestidos por uma bainha de mielina, que facilita a passagem de informação. Esta passagem da informação de um neurónio para outra célula é feita através das sinapses e possibilita assim que diversas regiões do cérebro estejam conectadas umas com as outras.

Existem dois tipos de sinapses: químicas e eléctricas.

No caso das sinapses eléctricas, menos comuns, o impulso nervoso propaga-se muito rapidamente de um neurónio para o outro sem a intervenção de neurotransmissores, através de pontos de contacto entre as duas células.

Nas sinapses químicas verifica-se a existência de um pequeno espaço entre as membranas celulares designado por fenda sináptica, onde são libertadas as substâncias químicas, os neurotransmissores, ou mediadores, contidos nas vesículas. Estes ligam-se a receptores da membrana da célula seguinte, desencadeando assim a propagação do impulso nervoso entre células (fig.2).

 

O mecanismo de comunicação entre células é, no entanto, muito mais complexo do que a explicação simplista aqui apresentada. Existem muitos outros pormenores no processamento das sinapses cuja abordagem julgamos ser irrelevante no projecto em estudo.

 



publicado por HumanMind às 14:55
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Sexta-feira, 19 de Janeiro de 2007
Resultados Gerais: Inquiridos 12º ano (Curso Cientifico-Humanístico)

Conclusões:

 

            Através do estudo da tabela acima, que representa a percentagem das respostas correctas às perguntas do questionário proposto à nossa turma, conclui-se, falando por Áreas Temáticas, que as que apresentam uma maior percentagem de respostas correctas, são as que fazem referência aos temas que abordam o sistema nervoso, o lado racional, as doenças neurológicas, e de certo modo também o tema que aborda as emoções e os sentimentos. No entanto este último, era o que apresentava, entre todos, uma maior elaboração e complexidade quer a nível de resolução, quer a nível de correcção. Os temas restantes apresentaram resultados mais baixos, não fugindo às expectativas do grupo, uma vez que, os temas em causa, abordavam assuntos que tendiam a ter um grau menor que os restantes, a nível de influência e inferência cultural.

 

 

 



publicado por HumanMind às 09:10
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Sábado, 13 de Janeiro de 2007
Introdução à neurociência

 A neurociência estuda aquilo que é considerado objecto de maior complexidade no universo – o cérebro.

 Compreender o cérebro e como funciona o sistema nervoso pode, à partida, parecer relativamente fácil. Mas não o é. Perceber e estudar os mecanismos presentes na regulação do cérebro tem sido das temáticas, senão a temática, mais complicada que a humanidade já experimentou.

  A neurociência encerra em si várias disciplinas de diferentes áreas tais como bioquímica, fisiologia (anatomia e mecânica das células nervosas), farmacologia, patologia, psicologia (que enveredou pelo difícil caminho do comportamento humano), física, estatística e medicina. E apesar de ser estudado por áreas tão diferentes, como a fisiologia e psicologia, o cérebro é visto de uma perspectiva unitária pois influencia ao mesmo tempo ambos os aspectos: as doenças mentais têm as suas consequências físicas e as doenças físicas provocam alterações a nível emocional no indivíduo.

A neurociência procura estudar de que forma, por exemplo, as nossas vivências e experiências e a idade, modificam os circuitos neurais e interferem no desenvolvimento mental. A inteligência, o raciocínio, a capacidade de sentir, a capacidade de sonhar, a capacidade de tomada de decisões, a capacidade de comandar o corpo e literalmente todo e qualquer movimento, são aspectos intrinsecamente ligados à disciplina e que há muito os neurocientistas tentam decifrar.

De forma a compreender o complexo mecanismo que esta por detrás de cada ser humano, cientistas têm estudado ao pormenor todos os detalhes anatómicos e fisiológicos do sistema nervoso, tentando desta forma evoluir no sentido de perceber que mecanismos nos regem e de que forma o fazem, ansiando encontrar respostas para tão difícil tarefa. Neurocientistas trabalham deste modo com o objectivo de compreender o cérebro humano, a sua estrutura, o seu funcionamento, o seu comportamento, a sua evolução e a tradução de todas as suas características e modificações no comportamento do indivíduo, passando por um aspecto de inexorável importância e delicadeza: a investigação de doenças neurológicas e distúrbios mentais e a procura do respectivo tratamento e cura.

Para percebermos como trabalha o cérebro é necessário compreender de que modo funcionam os processos a nível cognitivo, dentro dos circuitos neurais do sistema nervoso. É importante identificar funções, actividades e comportamentos, descodificar a linguagem dos neurónios na comunicação entre circuitos e compreender de que forma se transmitem informações entre estes (sinapses).

Assim, compreender o código neural e as transmissões sinápticas é o primeiro passo para a compreensão do funcionamento do cérebro e por isso o 1º capítulo deste projecto estará centrado na anatomia e fisiologia do sistema nervoso.



publicado por HumanMind às 20:47
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